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	<title>Blog Coletivo Outras Palavras</title>
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	<description>Ponto de Cultura - Escola Livre de Comunicação Compartilhada</description>
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		<title>João Caribé debate novas ameaças à internet</title>
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		<pubDate>Mon, 14 May 2012 22:56:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Antonio Martins</dc:creator>
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		<category><![CDATA[censura]]></category>
		<category><![CDATA[globalização]]></category>
		<category><![CDATA[liberdade na internet]]></category>

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		<description><![CDATA[Como governos autoritários e grandes corporações telecom agem em paralelo para que a ONU abra caminho ao controle e mercantilização da rede (assista a partir de 13m30) &#160;]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Como governos autoritários e grandes corporações telecom agem em paralelo para que a ONU abra caminho ao controle e mercantilização da rede (assista a partir de 13m30)</em></p>
<p><iframe src="http://www.youtube.com/embed/7XnZmU2MbxA" frameborder="0" width="420" height="315"></iframe></p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>MV Bill, traficante de informações</title>
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		<pubDate>Mon, 14 May 2012 22:06:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jean Mello</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Causa e Efeito]]></category>
		<category><![CDATA[MV Bill]]></category>
		<category><![CDATA[Rap]]></category>
		<category><![CDATA[rio de janeiro]]></category>

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		<description><![CDATA[Visões sobre artista que canta contra a acomodação e é capaz de participar de programas de grande audiência mantendo-se crítico, contundente e rebelde Por Jean Mello “Combatente não aceita. Comando de canalhas que a nós não respeita. Excluído, iludido&#8230; Quem &#8230; <a href="http://rede.outraspalavras.net/pontodecultura/2012/05/14/mv-bill-traficante-de-informacoes/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><iframe width="584" height="329" src="http://www.youtube.com/embed/8mEb55pqoYA?fs=1&#038;feature=oembed" frameborder="0" allowfullscreen></iframe></p>
<p><em>Visões sobre artista que canta contra a acomodação e é capaz de participar de programas de grande audiência mantendo-se crítico, contundente e rebelde</em></p>
<p>Por <strong>Jean Mello</strong></p>
<p>“Combatente não aceita. Comando de canalhas que a nós não respeita.<br />
Excluído, iludido&#8230; Quem nasce na favela é visto como bandido! Rouba muito, magnata&#8230; Não vai para cadeia e usa terno e gravata. Causa e efeito&#8230; Só dever sem direito”. (MV Bill)</p>
<p>Raro nos dias atuais alguém conseguir desmistificar aspectos cruciais da situação que o Brasil vive, principalmente em pouco mais de cinco minutos. Nesse clipe lançado em abril de 2011, MV Bill incorporou questões extremamente relevantes para entendimento daquilo que realmente é o “País Tropical”.<span id="more-3168"></span></p>
<p>Lógico que nada dá pra ver e dar um completo amém. Tampouco dizer que toda produção do cantor é tão madura quanto essa música.</p>
<p>Controvérsias à parte, conferir detalhes da obra que inspirou esse texto permite compreender melhor como se comporta um sistema cuja lógica inclui conservar as misérias e as desigualdades sociais. Também é um dos pedaços do quebra cabeça para montar o que muita gente espera que aconteça de vez por aqui: negros dizendo aquilo que apenas os negros viveram e ainda vivem.</p>
<p>Como diz o MV Bill, “a superação me emociona, mas a apatia dos irmãos me decepciona”. Para enfrentá-la, o artista volta a romper as fronteiras da pura crítica. Sua arte retoma e reinterpreta</p>
<p><a href="http://rede.outraspalavras.net/pontodecultura/files/2012/05/MV-Bill.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-3176" src="http://rede.outraspalavras.net/pontodecultura/files/2012/05/MV-Bill.jpg" alt="" width="216" height="320" /></a>Acontecimentos que já afligiram as periferias de todas as metrópoles brasileiras. Desde as investidas da polícia, como braço do poder para disseminar o medo, até a falta de oportunidade aos jovens, sobrando poucas alternativas para levar a vida à frente.</p>
<p>Com imagens que lembram um fanzine ou história em quadrinhos, o som vai ilustrando aquilo que vemos. Ou será que é a imagem que diz exatamente o que ouvimos?</p>
<p>Em alguns momentos, MV Bill foi acusado de <a href="http://www.youtube.com/watch?v=yI4urSYqkog">sensacionalismo</a> e <a href="http://www.youtube.com/watch?v=fJ9N_nL7KBQ">apologia</a> ao crime. Recentemente,<a href="http://www.euviali.com/curiosidades/rapper-mv-bill-e-acusado-de-espancar-irma-a-pauladas/"> negou</a> as investidas de vários canais de comunicação, segundo os quais teria espancado a irmã pauladas. Disse em nota oficial que sua familiar sofre de problemas psicológicos e que jamais cometeria tal ato.</p>
<p>Bate de frente com o que diz combater. No programa do Faustão, <a href="http://www.youtube.com/watch?v=4BEGSHg8TJA">vídeo</a> que está quase batendo na casa de dois milhões de visualizações, canta com fervor as contradições da grande mídia. Em dado momento foi cortado ao vivo, mas já tinha dado vários minutos de recados contundentes.</p>
<p>Alguns se perguntam se um <em>rapper</em> deve aceitar esse tipo de convite. Ele e alguns outros optaram por ir e dizer o que pensam. Os mais tradicionais não querem nem chegar perto. Recentemente, Emicida concedeu uma <a href="http://www.sbt.com.br/sbtvideos/media/?id=2c9f94b633efd4310133f5c71cae08ea">entrevista</a> ao SBT que teve boa repercussão &#8212; só que nem sempre é assim que funciona.</p>
<p>Em outra oportunidade comento o que penso dessas inserções. Mas na maioria dos casos, a mídia do dinheiro pinta os saraus dos escritores marginais, as músicas das quebradas e outras formas de revoluções periféricas como se fosse algum artigo da moda. Omite a essência do que inspira as letras, documentários e livros.</p>
<p>A questão é que o &#8220;trampo&#8221; de Bill não consiste simplesmente em críticas. É um dos criadores da Central Única de Favelas &#8211; <a href="http://cufa.org.br/">CUFA</a>. Luta para continuidade de um trabalho sólido com crianças e adolescentes em situação de risco social e pessoal. A música passa a ser um meio e não um fim, para contribuir na formação de uma sociedade mais justa. Sim, MV Bill ainda é um traficante de informações, como ele mesmo gosta de ser chamado.</p>
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		<title>Para ir além do desenvolvimentismo</title>
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		<pubDate>Mon, 14 May 2012 20:32:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Antonio Martins</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>

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		<description><![CDATA[Colaborador de &#8220;Outras Palavras&#8221; lança em Brasília livro-reportagem sobre o Equador, e os avanços e limites do governo Rafael Correa No próximo dia 15 de maio, terça-feira, acontece em Brasília o lançamento do livro O Equador é verde — Rafael Correa e os &#8230; <a href="http://rede.outraspalavras.net/pontodecultura/2012/05/14/para-ir-alem-do-desenvolvimentismo/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://rede.outraspalavras.net/pontodecultura/files/2012/05/120514-Tadeu.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-3215" title="120514-Tadeu" src="http://rede.outraspalavras.net/pontodecultura/files/2012/05/120514-Tadeu-e1337027534842.jpg" alt="" width="400" height="599" /></a></p>
<p><em>Colaborador de &#8220;Outras Palavras&#8221; lança em Brasília livro-reportagem sobre o Equador, e os avanços e limites do governo Rafael Correa</em></p>
<p>No próximo dia 15 de maio, terça-feira, acontece em <strong>Brasília</strong> o lançamento do livro <strong><em>O Equador é verde — Rafael Correa e os Paradigmas do Desenvolvimento</em></strong>. Após a ótima acolhida que teve em São Paulo, em 2011, a obra agora será apresentada aos leitores da capital federal na livraria <strong><a href="http://sebinho.com.br/" target="_blank">Sebinho</a></strong>, localizada na Asa Norte. Oportunidade única para conhecer mais sobre um país que passa pelo processo de transformação política, social e econômica mais instigante da América Latina.</p>
<p>Após quase dois anos de trabalho, o jornalista <strong>Tadeu Breda</strong> &#8211; hoje colaborador de <em>Outras Palavras </em>e repórter da <em>Rede Brasil Atual &#8211;</em> escreveu um extenso livro sobre o Equador antes, durante e depois da ascensão do presidente Rafael Correa e sua Revolução Cidadã. Porém, <em>O Equador é verde – Rafael Correa e os paradigmas do desenvolvimento</em> não fala apenas de política: questões econômicas, sociais e ecológicas permeiam as 320 páginas que constroem o retrato mais fiel já publicado em língua portuguesa sobre a história recente do nosso pouco conhecido país vizinho.</p>
<p><span id="more-3214"></span></p>
<p>O livro aborda a transição reformista que vem ocorrendo no Equador e os conflitos produzidos no seio da sociedade equatoriana devido ao processo de transformação. Para cumprir com este objetivo, Tadeu Breda acompanhou de perto as eleições de 2009 e conversou pessoalmente com os principais candidatos presidenciais: Lucio Gutiérrez, Álvaro Noboa e, claro, Rafael Correa, que acabou vencendo a peleja e garantindo mais quatro anos no cargo.</p>
<p>Igual atenção foi dada ao movimento indígena, principal força social do país e ponta de lança das transformações políticas, econômicas e sociais que estão acontecendo por lá. Uma delas é a nova Constituição Plurinacional, que ocupa posição de destaque no livro. A Carta Magna equatoriana foi a primeira na América Latina em reconhecer direitos à natureza e adotar um princípio indígena (Sumak Kawsay ou bom-viver) como modelo de desenvolvimento.</p>
<p>O autor também procurou entender as influências ideológicas que definem o governo da Revolução Cidadã. Assim, pôde trazer elementos que ajudam a compreender porquê Rafael Correa fala tanto em Simón Bolívar e o que significa Socialismo do Século XXI.</p>
<p>Os desafios ecológicos estão presentes no relato sobre um dos maiores desastres ambientais de que se tem notícia – e que aconteceu na Amazônia equatoriana quando a companhia estadunidense Texaco (hoje Chevron) despejou na floresta milhões de galões de petróleo e outros elementos tóxicos. O resultado foi a contaminação do ar, da água e do solo devido às piscinas negras que há mais de 30 anos permanecem a céu aberto em meio à mata. A população sofre diretamente os efeitos da tragédia: os índices de câncer são os mais altos do país, e o desenvolvimento humano, o mais baixo.</p>
<p>O livro termina com um texto aprofundado sobre a tentativa de golpe de Estado (ou teria sido motim policial?) que em setembro de 2010 manteve Rafael Correa sequestrado e à mira de pistola durante horas – e quase lançou o país novamente na instabilidade institucional.</p>
<p>“Fruto do que pretendia ser uma grande reportagem, o trabalho de Tadeu Breda ultrapassou o almejado pela qualidade das questões e análises sobre o que vem acontecendo no Equador”, opina Maria Helena Capelato, titular de História da América Latina na Universidade de São Paulo (USP).<a href="mailto:tadeubreda@gmail.com" target="_blank">om</a><br />
&#8211;<br />
<strong>Serviço:</strong><br />
Lançamento do livro <em>O Equador é verde – Rafael Correa e os paradigmas do desenvolvimento</em>, de Tadeu Breda.</p>
<p>&gt; Terça-feira, <strong>15 de maio</strong>, a partir das <strong>19h</strong>.<br />
Na <strong>Livraria Sebinho</strong>: SCLN 406 &#8211; Bloco C &#8211; Loja 44. Asa Norte, <strong>Brasília-DF</strong></p>
<p><strong>Ficha Técnica:</strong></p>
<p><em>O Equador é verde – Rafael Correa e os paradigmas do desenvolvimento</em><br />
De <strong>Tadeu Breda</strong> (com prefácio de <strong>Gilberto Maringoni</strong> e apresentação de <strong>Maria Helena Capelato</strong>)<br />
Editora Elefante, 320 páginas, R$ 25,00<br />
Para comprar, direto no <a href="http://www.latitudesul.org" target="_blank">site</a> do autor, <a href="http://www.latitudesul.org/livro/" target="_blank">clique aqu<br />
i</a></p>
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		<item>
		<title>João Caribé debate novas ameaças à internet livre</title>
		<link>http://rede.outraspalavras.net/pontodecultura/2012/05/10/webtv-debate-ameacas-a-internet/</link>
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		<pubDate>Thu, 10 May 2012 22:29:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Antonio Martins</dc:creator>
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		<category><![CDATA[China]]></category>
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		<description><![CDATA[Entevista com webativista que ajudou a articular luta conta AI-5 digital será esta segunda-feira (14/4), às 20h. Transmissão ao vivo, em http://rede.outraspalavras.net/pontodecultura]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Entevista com webativista que ajudou a articular luta conta AI-5 digital será esta segunda-feira (14/4), às 20h. Transmissão ao vivo, em http://rede.outraspalavras.net/pontodecultura</em></p>
<p><iframe width="375" height="220" src="http://www.youtube.com/embed/GZwl5-WuAaQ" frameborder="0" allowfullscreen></iframe></p>
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		<title>Para que a Rio+20 não sirva apenas como palco de denúncias</title>
		<link>http://rede.outraspalavras.net/pontodecultura/2012/05/03/para-que-a-rio20-nao-sirva-apenas-como-palco-de-denuncias/</link>
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		<pubDate>Thu, 03 May 2012 22:46:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Antonio Martins</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
		<category><![CDATA[ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[desenvolvimento]]></category>
		<category><![CDATA[energia]]></category>
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		<category><![CDATA[transporte urbano]]></category>

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		<description><![CDATA[Texto de Ladislau Dowbor aponta caminhos para mudanças profundas na produção e consumo. Elas podem começar já, contagiar sociedades e converter-se em políticas públicas – Sobre o tema: O texto de Ladislau Dowbor a que esta resenha se refere pode ser &#8230; <a href="http://rede.outraspalavras.net/pontodecultura/2012/05/03/para-que-a-rio20-nao-sirva-apenas-como-palco-de-denuncias/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="LEFT"><a href="http://rede.outraspalavras.net/pontodecultura/files/2012/05/eco-92-cor.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-3155" title="eco-92-cor" src="http://rede.outraspalavras.net/pontodecultura/files/2012/05/eco-92-cor.jpg" alt="" width="396" height="259" /></a><em>Texto de Ladislau Dowbor aponta caminhos para mudanças profundas na produção e consumo. Elas podem começar já, contagiar sociedades e converter-se em políticas públicas</em></p>
<p align="LEFT">–<br />
<strong>Sobre o tema:</strong> O texto de Ladislau Dowbor a que esta resenha se refere pode ser lido em <em>Ourras Palavras,</em> em duas partes: <a href="http://wp.me/p1d6FE-2Ph" target="_blank">1</a> <a href="http://www.outraspalavras.net/2012/05/05/rio20-o-bonde-da-vida-livre-esta-passando/" target="_blank">2</a><br />
–</p>
<p align="LEFT">Há pelo menos duas formas de enxergar a conferência Rio+20, que começa em seis semanas. Uma delas é preparar-se para denunciar seu provável “fracasso”. Ao terminar o encontro, em 22 de junho, os chefes de governo <em>não </em>terão, tudo indica, desenhado um plano para deter o aquecimento global ou as diversas formas de devastação da natureza. Em quase todo o mundo, a política institucional está cada vez mais amarrada aos grandes negócios e capitais. Estes buscam valorizar-se ou por meio dos circuitos financeiros, ou dos velhos padrões de “desenvolvimento”. Sua lógica é o lucro máximo: não inclui buscar novas relações, sustentáveis e harmônicas, entre ser humano e natureza.</p>
<p align="LEFT">Por isso, a mera denúncia é radical apenas na aparência. Ela permite apontar culpados, mas não ajuda a deter o crime. Durante alguns dias, a grande exposição do evento na mídia garantirá algum alarido e desgaste dos governantes insensíveis. Depois a rotina das relações de produção e consumo atuais voltará a se impor.<span id="more-3149"></span></p>
<p align="LEFT">Uma segunda atitude é menos dramática. Significa enxergar a Rio+20 não como o momento do tudo-ou-nada, em que o planeta será salvo ou perdido para sempre. Permite ter a conferência como um momento de articulação global das pessoas e movimentos dispostos a praticar novos padrões de produção e consumo – e a lutar para que eles prevaleçam.</p>
<p align="LEFT">É uma disputa cultural e política, ao mesmo tempo. Tem dimensão autônoma e imediata: pode começar já, na mudança de práticas cotidianas. Permite o contágio: as novas formas de produzir e consumir retiram a vida do automatismo cinzento a que o capitalismo normalmente a confina. São sedutoras, difundem-se com facilidade.</p>
<p align="LEFT">Para serem efetivas em larga escala, e fazerem diferença em escala planetária, precisam transformar-se em opções sociais. Substituir o carro pelo transporte público, as bicicletas ou caminhadas é importante desde já – se você está consciente. Mas para que centenas de milhões de pessoas o façam, será preciso assegurar metrôs, trens e ônibus de qualidade; reservar faixas de trânsito ciclovias nas metrópoles; tornar cada vez mais proibitivo o uso do automóvel particular, nas condições em que é desnecessário.</p>
<p align="LEFT">Os que estão dispostos a adotar esta postura diante da Rio+20 podem encontrar em <strong>Ladislau Dowbor </strong>[conheça <a href="http://www.dowbor.org" target="_blank">seu site</a>] uma grande referência. Pesquisador de atuação internacional, ele é um estudioso destacado dos processos econômicos em que a <em>colaboração </em>está substituindo a antiga lógica da disputa de todos contra todos. Mas não se limita à teoria: envolve-se em dezenas de projetos ligados à economia solidária, às cooperativas, aos novos arranjos produtivos.</p>
<p align="LEFT">Ladislau acaba de publicar um artigo inspirado – “Alternativas inteligentes de uso de energia” no livro <em>Energias Renováveis no Brasil</em><sup><em><strong><a name="sdfootnote1anc" href="#sdfootnote1sym"></a><sup>1</sup></strong></em></sup>, do qual é um dos organizadores. O texto é uma inspiração essencial para a conferência que a ONU realizará no Rio em junho. <em>Outras Palavras </em>tem a satisfação de <a href="http://wp.me/p1d6FE-2Ph" target="_blank">publicá-lo</a> em duas partes. A segunda estará no ar amanhã; o início do texto pode ser</p>
<div id="sdfootnote1">
<p><a name="sdfootnote1sym" href="#sdfootnote1anc"></a>1<span style="font-size: x-small;"> Emílio Lèbre La Rovere, Luiz Pinguelli Rosa, Ladislau Dowbor e Ignacy Sachs </span><span style="font-size: x-small;"><em>- Energias Renováveis no Brasil</em></span><span style="font-size: x-small;"> – </span><span style="font-size: x-small;"><em>Renewable Energy in Brazil &#8211; </em></span><span style="font-size: x-small;">Edição bilíngue – Núcleo de Estudos do Futuro, NEF, PUC-SP. Editora Brasileira, São Paulo 2012 </span><span style="color: #0000ff;"><span style="text-decoration: underline;"><a href="http://www.editorabrasileira.com.br/"><span style="font-size: x-small;">www.editorabrasileira.com.br</span></a></span></span></p>
<p>&nbsp;</p>
</div>
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<div style="max-width: 300px !important; color: #fafafa !important; opacity: 0.8 !important; border-color: #000000 !important; border-width: 0px !important; -webkit-border-radius: 10px !important; background-color: #363636 !important; font-size: 16px !important; padding: 8px !important; overflow: visible !important; background-image: -webkit-gradient(linear, left top, right bottom, color-stop(0%, #000), color-stop(50%, #363636), color-stop(100%, #000)); z-index: 999999 !important; text-align: left  !important;"></div>
<p><img style="position: absolute !important; z-index: -1 !important; right: 1px !important; top: -20px !important; cursor: pointer !important; -webkit-border-radius: 20px; background-color: rgba(200, 200, 200, 0.3) !important; padding: 3px 5px 0 !important; margin: 0 !important;" onclick="document.location.href='http://translate.google.com/';" src="http://www.google.com/uds/css/small-logo.png" alt="" /></div>
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		<title>No Cairo, a revolução não vai às urnas</title>
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		<pubDate>Thu, 03 May 2012 12:31:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Antonio Martins</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Primavera Árabe]]></category>

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		<description><![CDATA[Jovens rebeldes que derrubaram Mubarak em 2011 têm pouca incidência nas eleições para presidente &#8212; polarizadas por um ex-ministro da ditadura e dois candidatos islâmicos Nenhum país é tão crucial, para o futuro, para o futuro da Primavera Árabe, quanto &#8230; <a href="http://rede.outraspalavras.net/pontodecultura/2012/05/03/no-cairo-a-revolucao-nao-vai-as-urnas/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_3144" class="wp-caption aligncenter" style="width: 460px"><a href="http://rede.outraspalavras.net/pontodecultura/files/2012/05/120503-Egito.jpg"><img class="size-full wp-image-3144  " title="120503-Egito" src="http://rede.outraspalavras.net/pontodecultura/files/2012/05/120503-Egito-e1336047665801.jpg" alt="" width="450" height="278" /></a><p class="wp-caption-text">Nos cartazes, Abdel Abolfotoh, um dos candidatos islâmicos com chances na disputa</p></div>
<p><em>Jovens rebeldes que derrubaram Mubarak em 2011 têm pouca incidência nas eleições para presidente &#8212; polarizadas por um ex-ministro da ditadura e dois candidatos islâmicos</em></p>
<p>Nenhum país é tão crucial, para o futuro, para o futuro da Primavera Árabe, quanto o Egito. São 70 milhões de habitantes, <a href="http://www.outraspalavras.net/2011/03/11/o-grande-retorno-do-egito/" target="_blank">enorme influência</a> no Oriente Médio, duas grandes revoluções em meio século. Ao mesmo tempo, exército forte e articulado, polícia e paramilitares rudes e violentos, laços especiais com Estados Unidos e Israel. Por isso mesmo, em nenhuma parte do mundo árabe houve tantas reviravoltas, desde que a ditadura foi deposta, em fevereiro do ano passado. Na <a href="http://www.outraspalavras.net/2011/03/03/na-praca-tahrir-por-wendell-steavenson/" target="_blank">derrocada do regime</a>, e num <a href="http://www.outraspalavras.net/2011/11/29/a-semana-em-que-a-revolucao-egipcia-renasceu/" target="_blank">surto insurrecional</a> posterior, em outubro, saiu vitoriosa a juventude articulada em redes, que transformou a Praça Tahrir num grande experimento de invenção democrática. Nas <a href="http://www.outraspalavras.net/2011/11/23/egito-primavera-e-eleicoes/" target="_blank">disputas institucionais</a> por meio das quais vai se constituindo um novo poder, prevalecem ou os militares (que souberem livrar-se do ditador), ou os partidos islâmicos. É o que volta a se desenhar às vésperas das eleições presidenciais, marcadas para 23 e 24 de maio, com provável segundo turno em junho.</p>
<p>Três candidatos parecem ter, a vinte dias da escolha, chances de chegar ao segundo turno: <strong>Amr Moussa</strong>, um ex-ministro do Exterior e secretário-geral da Liga Árabe; <strong>Abdel Abolfotoh</strong>, um antigo militante da Irmandade Muçulmana, perseguido pelo regime de Mubarak e rompido com o grupo islâmico há cerca de um ano, sem no entanto confrontar-se com ele; e <strong>Mohammed Morsi</strong>, o postulante oficial da Irmandade, maior força política egípcia, com quase 50% das cadeiras no Parlamento e na Assembleia Constituinte.<span id="more-3140"></span>É fácil compreender a proeminência dos dois candidatos islâmicos. Durante décadas de ditadura, a fé muçulmana, amplamente majoritária no Egito, foi contraponto ao regime &#8212; laico, porém corrupto e repressor. Em teoria, a Irmandade Muçulmana, um grupo com ramificações em boa parte do mundo árabe e vasta rede de estabelecimentos de Ensino, Saúde e Assistência Social, teria facilidade em eleger o presidente. Porém, a força dos militares pesou. No final de abril, a comissão eleitoral (nomeada nos tempos de Mubarak, mas fortemente ligada ao exército) excluiu da disputa dez candidatos, entre eles Khairat el-Shater, o nome mais forte da Irmandade.</p>
<p>Entre os islâmicos restaram, com chances reais na disputa, Abolfotoh e Morsi. O primeiro afirma com mais clareza o caráter laico de sua candidatura. Porém, tirou proveito da rivalidade entre os dois grandes grupos muçulmanos. Dissidente da Irmandade, tornou-se palatável aos Salafitas &#8212; uma ala ultra-ortodoxas e fundamentalistas, mas que teme ficar à sombra da Irmandade. Morsi está em terceiro, nas pesquisas, mas não deve ser desprezado. Nas semanas que faltam para o pleito, a rede de militantes Irmandade pode fazer intenso trabalho em seu favor. É algo que pouco aparece nas sondagens, mas torna-se, às vezes, decisivo nas urnas.</p>
<p>Já as chances Amr Moussa, que  foi auxiliar de Mubarak durante dez anos, repousam em dois fatores. Primeiro, sua identificação com Liga Árabe. Embora ligado ao ditador, ele ocupou um posto que lhe permitiu alguma independência. Soube aproveitar-se dela. Tornou-se conhecido pelas constantes críticas a Israel e, em especial, à invasão do Iraque pelos Estados Unidos, em 2003. Declarou, à época, que a aventura militar da Casa Branca, &#8220;abria as portas do inferno&#8221;.</p>
<p>Além disso, sua independência em relação às organizações islâmicas é um sinal de alívio para parte importante (ainda que minoritária) do eleitorado, que teme a opressão religiosa. Embora a Irmandade Muçulmana declare seu compromisso com um Estado laico, têm surgido sinais inquietantes de conservadorismo ligado à fé. Algumas universidades provinciais estabeleceram, por exemplo, medidas estritas para segregar os estudantes por sexo, nas salas de aula e especialmente nas atividades que envolvem viagens. Num cenário em que nenhum candidato expressa vontade clara de mudança social, rejeitar o risco de islamização pode ser um atributo decisivo, inclusive para os eleitores à esquerda.</p>
<p>Seja como for, o espaço para debater o futuro do país está aberto. Na noite de quarta para quinta-feira, a TV egípcia transmitiu, pela primeira vez na história, um debate ao vivo entre candidatos a um posto político. Foram convidados apenas Moussa e Abolfotoh, que lideram as sondagens (vistas por todos como pouco confiáveis&#8230;) Ainda assim, a possibilidade de uma polêmica pública, envolvendo temas nacionais, polarizou atenções.</p>
<div id="attachment_3145" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><a href="http://rede.outraspalavras.net/pontodecultura/files/2012/05/120503-Ali.jpg"><img class="size-full wp-image-3145" title="120503-Ali" src="http://rede.outraspalavras.net/pontodecultura/files/2012/05/120503-Ali-e1336048151936.jpg" alt="" width="300" height="153" /></a><p class="wp-caption-text">Kahled Ali, o candidato ligado à Praça Tahrir</p></div>
<p>Incapazes, por enquanto, de articular planos comuns, os jovens rebeldes esperam. Têm, no momento, dois pequenos motivos para celebrar. Foram, ao menos, capazes de constituir um candidato &#8212; <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Khaled_Ali" target="_blank">Khaled Ali</a>, um advogado em favor dos direitos humanos, pouco conhecido porém valente. Sem vínculo com partidos, é relativamente jovem (40 anos) e pode ter futuro. Destacou-se por defender causas trabalhistas célebres, durante a ditadura Mubarak Teve papel ativo na sequência de lutas que levou à queda do regime e estabeleceu redes de contato importantes.</p>
<p>Também à última hora, o Prêmio Nobel da Paz, Mohamed El Baradei, anunciou que formará um novo grupo político &#8212; o  Partido da Constituição. É um lance visando o futuro. Baradei, que foi muito cotado, durante as mobilizações do ano passado, para disputar a Presidência, não conseguiu articular-se para tanto. Mas tem expressão nacional (especialmente nas grandes cidades) e apoiou claramente a revolta que derrubou a ditadura. Caso se viabilize, a agremiação que ele tenta construir pode converter-se, também, em espaço importante para expressão institucional da juventude que quer levar a revolução adiante.</p>
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<p><img style="position: absolute !important; z-index: -1 !important; right: 1px !important; top: -20px !important; cursor: pointer !important; -webkit-border-radius: 20px; background-color: rgba(200, 200, 200, 0.3) !important; padding: 3px 5px 0 !important; margin: 0 !important;" onclick="document.location.href='http://translate.google.com/';" src="http://www.google.com/uds/css/small-logo.png" alt="" /></p>
</div>
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		<title>França, Grécia, Egito: três eleições que podem mudar ânimos no mundo</title>
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		<pubDate>Wed, 02 May 2012 12:13:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Antonio Martins</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>

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		<description><![CDATA[A oligarquia financeira derrapará em Paris? Nazistas chegarão ao Parlamento grego? Um ex-ministro de Mubarak governará no Cairo? Por Antonio Martins Na última década, uma nova cultura política, que brotou de grandes mobilizações de rua e dos Fóruns Sociais Mundiais, relativizou &#8230; <a href="http://rede.outraspalavras.net/pontodecultura/2012/05/02/franca-grecia-egito-tres-eleicoes-podem-mudar-os-animos-do-mundo/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_3128" class="wp-caption aligncenter" style="width: 460px"><a href="http://rede.outraspalavras.net/pontodecultura/files/2012/05/120502-França.jpg"><img class="size-full wp-image-3128 " title="120502-França" src="http://rede.outraspalavras.net/pontodecultura/files/2012/05/120502-França-e1335963909833.jpg" alt="" width="450" height="327" /></a><p class="wp-caption-text">Paris, abril: ativistas anti-AIDS protestam diante do comitê eleitoral de Sarkozy, que impõe políticas de cortes de direitos e serviços públicos</p></div>
<p><em>A oligarquia financeira derrapará em Paris? Nazistas chegarão ao Parlamento grego? Um </em><em>ex-ministro de Mubarak governará no Cairo?</em></p>
<p>Por <strong>Antonio Martins</strong></p>
<p>Na última década, uma nova cultura política, que brotou de grandes mobilizações de rua e dos Fóruns Sociais Mundiais, relativizou a importância das eleições. Ela mostrou que política é algo que se pratica todos os dias, por meio de atos e posturas &#8212; e não apenas uma vontade que se delega, por meio do voto, a cada dois ou quatro anos. Ainda assim, as eleições continuam a ser muito importantes. Basta ver o que estará em jogo, nos próximos dias e semanas, em três países que se tornaram emblemáticos das possibilidades e impasses contemporâneos: França, Grécia e Egito.</p>
<p>A disputa de maior relevância (e talvez a de prognóstico mais favorável) é a da França. O segundo turno das eleições presidenciais será decidido no próximo domingo, 6/5. Logo a seguir, em 10 e 17 junho, virá a renovação completa do Parlamento &#8212; o &#8220;terceiro turno&#8221;, na <a href="http://noticias.uol.com.br/blogs-e-colunas/coluna/luiz-felipe-alencastro/2012/04/28/na-franca-presidenciaveis-disputam-tres-turnos-de-olho-nas-eleicoes-legislativas.htm" target="_blank">opinião</a> do historiador Luiz Felipe de Alencastro, que vive em Paris.</p>
<p>Em condições normais, seria um confronto morno: ele opõe o presidente atual, Nicolas Sarkozy, de centro-direita, a François Hollande, de um Partido Socialista (PS) que abandonou há décadas os últimos traços de rebeldia anti-capitalista. <em>I&#8217;m not dangerous, </em>&#8220;não sou perigoso&#8221;, fez questão de declarar o próprio candidato, numa entrevista recente à revista inglesa <em>The Economist. </em>Referia-se ao fato de não propor nacionalização de setores importantes da economia, como as feitas por François Mitterrand, o único membro do PS e da esquerda a presidir a França no pós-II Guerra. Porém, nas circunstâncias de recessão prolongada e crise política que marcam a Europa, mesmo uma mudança muito menos brusca pode ter vastas consequências.<span id="more-3123"></span>A vitória de Hollande é provável. A quatro dias das eleições, ele tem, em todas as pesquisas de intenção de voto, entre seis e doze pontos de vantagem sobre Sarkozy &#8212; uma margem que só um fato totalmente inesperado poderá desfazer. O que inquieta os conservadores são alguns pontos do programa do candidato socialista. Ele quer elevar a 75% a alíquota de imposto de renda sobre os salários acima de 1 milhão de euros anuais. E pretende contratar 60 mil novos professores, para restaurar o combalido sistema de ensino, depredado por anos de políticas de desmonte do estado de bem-estar social.</p>
<p><a href="http://rede.outraspalavras.net/pontodecultura/files/2012/05/120502-Hollande.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-3129" title="120502-Hollande" src="http://rede.outraspalavras.net/pontodecultura/files/2012/05/120502-Hollande.jpg" alt="" width="117" height="154" /></a>Tais propostas, reconhece a mesma <em>The Economist, </em>têm potencial para quebrar eixo Berlim-Paris, fundamental para manter as atuais políticas, de regressão dos serviços públicos, adotadas na Europa. Altamente impopulares em todos os países, elas têm sido impostas graças ao controle de instituições como o Banco Central Europeu e a Comissão Europeia &#8212; algo possível devido à forte articulação entre Sarkozy e a chanceler alemã, Angela Merkel. Sem um parceiro em Paris, acrescenta <em>The Economist, </em>Merkel perderá inclusive condições de justificar, perante os alemães, a continuidade das políticas de corte de direitos em seu próprio país. A troco de quê eles fariam tal sacrifício, se mesmo seus vizinhos o rejeitam? Por tudo isso, a revista declarou seu apoio a Sarkozy e dedicou a capa desta semana ao candidato socialista, chamando-o de &#8220;o perigoso <em>Monsieur</em> Hollande&#8221;&#8230;</p>
<p>Outros fatores acentuam a importância das eleições francesas. No &#8220;terceiro turno&#8221;, intervirão, além de conservadores e socialistas, mais forças. Por um lado, a Frente Nacional (FN), de extrema-direita, cuja candidata à Presidência, Marine Le Pen, alcançou 18,5% dos votos, no primeiro turno. Confiante em suas perspectivas futuras, ela declarou em 1º de Maio que votará em branco, no domingo. Muitos analistas julgam que torce pela vitória de Hollande, esperando que o enfraquecimento da direita tradicional abra caminho para que a FN domine o campo dos que temem as mudanças, a esquerda e os estrangeiros.</p>
<p>Menos bem-sucedido no primeiro turno, o principal candidato à esquerda também não será carta fora do baralho. Jean-Luc Mélanchon alcançou 11% dos votos em abril, mas realizou os <a href="http://www.outraspalavras.net/2012/03/26/franca-a-surpreendente-mare-vermelha/" target="_blank">maiores comícios</a> da campanha e restaurou a mobilização e orgulho do Partido de Esquerda (por quem concorreu) e Partido Comunista (que o apoiou). Seu apoio a Hollande, no segundo turno, é explícito. Mas nas eleições parlamentares, o setor à esquerda dos socialistas deverá apresentar candidaturas e propostas próprias. Se tiverem forte expressão no Parlamento, contribuirão para afastar ainda mais o provável governo socialista das atuais políticas europeias.</p>
<p>Símbolo de estabilidade até há poucos anos, a Europa tornou-se, desde a adoção dos planos de &#8220;austeridade&#8221;, em 2009, um continente intranquilo, conturbado e empobrecido. Até os cenários extremos tornaram-se possíveis, como se verá no post a seguir, sobre a Grécia. Por isso, as eleições são tão importantes &#8212; inclusive ou especialmente para quem vê política como algo que vai muito além delas&#8230;</p>
<div id="-chrome-auto-translate-plugin-dialog" style="opacity: 1 !important; background-image: initial !important; background-attachment: initial !important; background-origin: initial !important; background-clip: initial !important; background-color: transparent !important; position: absolute !important; top: 0px; left: 0px; overflow-x: visible !important; overflow-y: visible !important; z-index: 999999 !important; text-align: left !important; display: none; background-position: initial initial !important; background-repeat: initial initial !important; padding: 0px !important; margin: 0px !important;">
<p><img style="position: absolute !important; z-index: -1 !important; right: 1px !important; top: -20px !important; cursor: pointer !important; -webkit-border-radius: 20px; background-color: rgba(200, 200, 200, 0.3) !important; padding: 3px 5px 0 !important; margin: 0 !important;" onclick="document.location.href='http://translate.google.com/';" src="http://www.google.com/uds/css/small-logo.png" alt="" /></p>
</div>
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		<title>Atenas: a resistível ascensão do nazismo</title>
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		<pubDate>Wed, 02 May 2012 10:57:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Antonio Martins</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>

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		<description><![CDATA[Às vésperas do pleito, partidos tradicionais temem sair às ruas. Esquerda divide-se. No berço da democracia, emergem os fascistas Desde que a Grécia livrou-se de uma ditadura militar sangrenta (em 1974), a política institucional seguia os padrões ocidentais ordinários. Dois &#8230; <a href="http://rede.outraspalavras.net/pontodecultura/2012/05/02/atenas-abismo-da-politica-tambem-deperta-pesadelos/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_3136" class="wp-caption aligncenter" style="width: 460px"><a href="http://rede.outraspalavras.net/pontodecultura/files/2012/05/120502-NazisGregos3-e1335974190526.jpg"><img class="size-full wp-image-3136 " title="120502-NazisGregos3" src="http://rede.outraspalavras.net/pontodecultura/files/2012/05/120502-NazisGregos3-e1335974190526.jpg" alt="" width="450" height="252" /></a><p class="wp-caption-text">Desfile nazista em Atenas, em março. Milicianos atacam imigrantes albaneses, e propõem fechar a fronteira com minas antipessoais</p></div>
<p><em>Às vésperas do pleito, partidos tradicionais temem sair às ruas. Esquerda divide-se. No berço da democracia, emergem os fascistas</em></p>
<p>Desde que a Grécia livrou-se de uma ditadura militar sangrenta (em 1974), a política institucional seguia os padrões ocidentais ordinários. Dois partidos alternavam-se no poder: o socialista (Pasok), de centro-esquerda, e a Nova Democracia (AD), conservadora. Ainda que suas políticas fossem próximas, mantinham forte rivalidade, sem jamais coabitar um governo.</p>
<p>Embora importantes, os comunistas não chegaram a ultrapassar a barreira dos 15% do eleitorado. Uma direita nacionalista, formada em 2000 (o LAOS) chegou ao Parlamento pela primeira vez em 2009, ao alcançar, 5,3% dos votos. E uma ultra-direita de clara inspiração nazista, o Alvorecer Dourado, foi sempre desprezível, jamais chegando (até 2010) a 1% do eleitorado. Este quadro foi violentamente sacudido, nos dois anos de imposição da &#8220;austeridade&#8221; pela chamada <em>troika </em>&#8211; Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional. Nas eleições parlamentares do próximo domingo, a única perspectiva visível, até o momento, são caos e ingovernabilidade.<span id="more-3135"></span>Desde 2009, a Grécia é pressionada a reduzir investimento público e cortar direitos sociais. Em novembro do ano passado, a <em>troika </em>foi além. O primeiro-ministro George Papandreou (do Pasok) sugeriu um plebiscito, para que a sociedade pudesse manter ou revogar as políticas em curso &#8212; que incluem redução do salário mínimo, demissão de dezenas de milhares de servidores, privatização selvagem (até mesmo dos espaços públicos, nas cidades) e eliminação de benefícios previdenciários. A proposta foi rechaçada com virulência pelos mercados financeiros e pelos governantes europeus &#8212; liderados pela alemã Angela Merkel e o francês Nicolas Sarkozy. Consultar a sociedade, alertou-se, significaria excluir o país do euro e, possivelmente, da União Europeia.</p>
<p>Colocados contra a parede, Pasok e AD cederam. Aceitaram manter e aprofundar a &#8220;austeridade&#8221;, Juntos, formaram um novo ministério &#8212; chefiado, porém, por Lucas Papademos, um ex-alto funcionário do banco norte-americano Goldman Sachs, jamais submetido a voto popular, confiável apenas aos olhos da <em>troika. </em></p>
<p>A popularidade dos dois partidos desabou. Antes, cada um deles foi capaz de formar um governo majoritário, bastando adesões secundárias, de pequenos partidos. Agora, as sondagens indicam que, juntos, não serão capazes de reunir 40% dos votos. Seu desprestígio é tão profundo que os obrigou a uma campanha bizarra. Nenhum deles realizou, até o momento, um único comício. Temem a revolta popular. Para angariar votos, confiam apenas na máquina do Estado e em seu clientelismo.</p>
<p>Contrária aos cortes de direitos, a esquerda cresceu. As três correntes que hoje a compõem: Partido Comunista (KKE), Esquerda Radical (Syriza) e Esquerda Democrática deverão obter, juntas, cerca de 30% dos votos. Poderiam ser maioria, caso se unissem e entabulassem algum acordo com o Pasok. Mas são incapazes de fazê-lo. O KKE julga-se portador de uma verdade revolucionária que poderia ser manchada, caso se alisasse com forças impuras. O Syriza incomoda-se com a Esquerda Democrática, surgida de uma dissidência em seu seio. A Esquerda Democrática teme que KKE e Syriza sejam demasiado radicais&#8230;</p>
<p>Esta febre de egos acabou abrindo espaço para a antes minúscula ultra-direita. Os militantes do Alvorecer Dourado têm como símbolo uma cruz que pouco se diferencia da suástica. Como saudação, erguem o braço direito, <em>a la </em>Hitler e Mussolini. Propõem prender todos os estrangeiros e cercar o território do país com minas. Cultivam um discurso de ódio, segundo o qual todos os adversários são aproveitadores e suspeitos. Falam em &#8220;limpar o país&#8221; &#8212; de políticos, imigrantes e vícios&#8230; Segundo grupos em defesa dos direitos humanos, praticam, desde já, espancamentos e agressões.</p>
<p>Para tentar viabilizar-se, desenvolveram  importantes habilidades. Também condenam as políticas da <em>troika </em>(em nome do orgulho nacional ferido). Montaram brigadas de militantes que protegem os idosos de assaltos, quando estes vão aos bancos buscar os recursos minguados da aposentadoria. Devem obter em torno de 10% dos votos &#8212; algo fantástico, para uma força política que, até as políticas de &#8220;austeridade&#8221; era marginalizada, com justiça, pela esmagadora maioria dos gregos.</p>
<p>As perguntas que surgem inevitavelmente do prognóstico são: a <em>troika </em>estará levando a Europa a uma polarização que favorece a ultra-direita, numa reedição exata do cenário que levou ao nazismo? A esquerda será incapaz de aprender com o passado?</p>
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<p><img style="position: absolute !important; z-index: -1 !important; right: 1px !important; top: -20px !important; cursor: pointer !important; -webkit-border-radius: 20px; background-color: rgba(200, 200, 200, 0.3) !important; padding: 3px 5px 0 !important; margin: 0 !important;" onclick="document.location.href='http://translate.google.com/';" src="http://www.google.com/uds/css/small-logo.png" alt="" /></p>
</div>
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		<title>A corajosa nomeação de Brizola Neto</title>
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		<pubDate>Tue, 01 May 2012 13:50:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Antonio Martins</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Brizola Neto]]></category>
		<category><![CDATA[CPÌ do Cachoeira]]></category>
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		<category><![CDATA[PDT]]></category>
		<category><![CDATA[salários]]></category>
		<category><![CDATA[trabalho]]></category>

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		<description><![CDATA[Novo ministro teria muito a contribuir, tanto nos temas de Trabalho quanto na democratização das comunicações. Mas haverá em sua escolha mais que mera simbologia? O Palácio do Planalto confirmou ontem o nome do novo ministro do Trabalho: Brizola Neto, &#8230; <a href="http://rede.outraspalavras.net/pontodecultura/2012/05/01/a-corajosa-nomeacao-de-brizola-neto/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><iframe src="http://www.youtube.com/embed/NYyUugQojUQ" frameborder="0" width="420" height="315"></iframe></p>
<p><em>Novo ministro teria muito a contribuir, tanto nos temas de Trabalho quanto na democratização das comunicações. Mas haverá em sua escolha mais que mera simbologia?</em></p>
<p>O Palácio do Planalto confirmou ontem o nome do novo ministro do Trabalho: Brizola Neto, descendente e inspirado pelo velho Leonel, deputado federal pelo PDT-RJ e participante ativo da blogosfera, onde mantém o polêmico (e muito bem-informado) <a href="http://www.tijolaco.com" target="_blank">Tijolaço</a>. Há três simbologias implícitas no ato.</p>
<p>A primeira é uma tentativa de aproximação de Dilma com a primeira geração do trabalhismo brasileiro. Expressa nas figuras de Getúlio Vargas, Leonel Brizola e João Goulart, ela quase nada tem a ver com o PDT de hoje &#8212; mas o ministério do Trabalho é um de seus grandes símbolos. Foi criado por Getúlio, em 1930 (à época, como ministério do Trabalho, Indústra e Comércio). Mais tarde, ao ocupá-lo durante poucos meses (junho de 1953 a fevereiro de 1954), <em>Jango </em>iniciou a trajetória nacional que o levaria à Presidência. Elevou o salário-minimo em 100% (depois de quatro anos de congelamento). Atraiu a ira dos conservadores, que forçaram sua saída, no âmbito do movimento para depor o próprio presidente.</p>
<p>O segundo símbolo relaciona-se à mídia. Brizola Neto contrapõe-se a Miro Teixeira, que foi ministro das Comunicações e é conhecido por suas amplas ligações com o oligopólio instalado no setor. Ambos pertencem ao PDT fluminense. Mas Brizola Neto é uma defensor constante de políticas para ampliar a liberdade de expressão (intervém constantemente sobre o tema no <em>Tijolaço, </em>esteve presente nos dois primeiros Encontros Nacionais de Blogueiros Progressistas). Já Teixeira tem atuado na chamada &#8220;CPI do Cachoeira&#8221; para <em>evitar </em>que esta investigue os sinais de envolvimento da mídia (em especial da revista <em>Veja) </em>com o tráfico de influências protaganizado pelo bicheiro e seu parceiro, o senador Demóstenes Torres (DEM-GO). A tentativa de blindagem está narrada no <a href="http://brasil247.com/pt/247/midiatech/56341/Globo-Abril-e-Folha-se-unem-contra-CPI-da-m%C3%ADdia.htm" target="_blank">site </a><em><a href="http://brasil247.com/pt/247/midiatech/56341/Globo-Abril-e-Folha-se-unem-contra-CPI-da-m%C3%ADdia.htm" target="_blank">247</a>.</em></p>
<p><span id="more-3118"></span>Por fim, Brizola Neto tem fortes laços com os movimentos sociais, como deixa claro o vídeo acima (para poupar formalidades protocolares, veja a partir de 1m30s), que registra sua fala, e a de João Pedro Stédile, na cerimônia em que a Câmara dos Deputados confere a medalha Mérito Legislativo ao líder do MST (e a dezenas de outros agraciados). A parte mais conservadora da plateia vaia Stédile. Ele e Brizola respondem em entrevistas onde denunciam o comportamento intolerante das elites brasileiras.</p>
<p>Haverá mais que simbologias na nomeação do novo ministro? A resposta virá nos próximos meses. O ministério do Trabalho é apenas uma sombra do que foi em 1954: todas as políticas que dizem respeito à distribuição de riquezas são hoje articuladas pela chamada &#8220;área econômica&#8221; do governo (deve-se reconhecer que tem havido, há seis anos, lenta recuperação dos salários). No terreno das Comunicações não surgiram, por enquanto, sinais de que o governo esteja disposto a grandes projetos de sentido democratizante. O Plano de Banda Larga arrasta-se, com a Telebras desativada e o governo apenas observando a má-vontade das empresas privadas que dominam o setor.</p>
<p>A nova nomeação significará novos rumos? Ou Brizola será refém da máquina e de seu posto? Quem o conhece sabe que ele dificilmente se conformaria a esta condição&#8230;</p>
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		<title>Que carro você tem?</title>
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		<pubDate>Fri, 27 Apr 2012 21:36:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<category><![CDATA[ditadura do automóvel]]></category>
		<category><![CDATA[mobilidade urbana]]></category>
		<category><![CDATA[São Paulo]]></category>

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		<description><![CDATA[Carros particulares já ocupam 25% do espaço urbano de SP. Um colapso é previsível e bastante provável, e tudo indica que devemos mudar nossas mentalidades, assim como fizemos com o cigarro Por Maristela Bleggi Tomasini A quarta parte do espaço &#8230; <a href="http://rede.outraspalavras.net/pontodecultura/2012/04/27/que-carro-voce-tem/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em><a href="http://rede.outraspalavras.net/pontodecultura/files/2012/04/carro-azul.jpeg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-3107" title="carro azul" src="http://rede.outraspalavras.net/pontodecultura/files/2012/04/carro-azul-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a>Carros particulares já ocupam 25% do espaço urbano de SP. Um colapso é previsível e bastante provável, e tudo indica que devemos mudar nossas mentalidades, assim como fizemos com o cigarro</em></p>
<p>Por <strong>Maristela Bleggi Tomasini</strong></p>
<p>A quarta parte do espaço público da cidade de São Paulo é ocupada por veículos particulares. Isso, sem dúvida, ocorre em detrimento da utilização desse mesmo espaço para finalidades mais socializadoras e menos individualistas. Contudo, a expectativa de que esse quadro possa mudar parece estar na dependência de fatores pouco discutidos. Não se trata apenas de criar regras que forcem a socialização dessa porção física da maior cidade do Brasil; trata-se de mudar uma mentalidade que reserva ao automóvel um espaço no imaginário talvez até bem maior do que esses 25%.</p>
<p>Carro simboliza liberdade, independência; ele confere, ao seu feliz proprietário, atributos altamente desejáveis. Não obstante tratar-se de um bem indispensável ao desempenho das atividades profissionais de boa parte da população, ser dono de um automóvel é um objetivo a ser alcançado na vida, uma conquista não menos almejada que a casa própria ou o diploma. Quanto mais sofisticado é o carro, maior o ganho social. Ter um automóvel atesta competência, inteligência, sagacidade, dá status e faz crer que seu possuidor é até mais atraente, mais bonito, mais desejável.</p>
<p>“Que carro você tem?” – é uma pergunta que muita gente faz aos outros, e até a si mesmo, simplesmente porque o automóvel exerce fascínio, atrai, conquista, encanta, é fetiche. Seu carro define quem você é. É, pois, objeto de desejo e, como tal, integra a própria personalidade do adquirente. Aquele que se torna dono de um carro adquire um diferencial social, cresce aos seus próprios olhos e aos olhos dos outros. Há tempos, o carro desfruta de personalidade. Tornou-se membro da família e reclama espaço, espaço este que vem conquistando cada vez mais, até chegar a esta quarta parte de São Paulo da qual estamos falando.</p>
<p><span id="more-3106"></span>Pensar em fazer recuar essa conquista espacial do automóvel implica numa mudança de mentalidade. Até lá, os 25% permanecem ou mesmo avançam, visto que refletem tão-só um espaço imaginário, simbólico, que tem a ver com a própria imagem social incansavelmente procurada em uma sociedade voltada ao consumo, uma sociedade onde não ter carro nos expõe até mesmo à discriminação. Não ter casa própria ou diploma é compreensível, mas não ter nem mesmo um carrinho usado é imperdoável. Não dispor de uma Brasília amarela e, naturalmente, a mina para levar à praia, é ser muito, mas muito pobre, é algo que faz mal para a saúde social do sujeito: sua imagem e sua autoimagem sofrem com isso. Daí as coisas serem como são: a quarta parte do espaço urbano toda ela reservada para eles, os automóveis, e seus felizes proprietários.</p>
<p><strong>Cigarros e mentalidades</strong></p>
<p>Tentador especular sobre isso. Mentalidades mudam, oras. É complicado, mas mudam. Vejamos um caso. Com o cigarro aconteceu uma mudança bastante significativa, mudança que se refletiu na diminuição do espaço urbano reservado ao fumo. A lei ajudou, ao editar as proibições e ao atribuir pesadas multas aos infratores. Contudo, lei é reforço, não resolve nada sozinha, apenas pelo fato de vigorar. Caso contrário, não haveria mais crimes, para os quais ela reserva as penas mais graves. A lei ajuda, reforça, mas não transforma mentalidades.</p>
<p>O que mudou então em relação ao cigarro? A edição de leis, somente? Não. Mudou a mentalidade. Esta nova mentalidade trouxe consigo uma considerável diminuição no status social do fumante. Ele perdeu charme, perdeu encanto, deixou de ser desejável, quando os atributos de elegância e de refinamento associados ao hábito de fumar foram sendo, pouco a pouco, alterados. Não demorou tanto tempo assim para que isso viesse a se refletir justamente no espaço urbano reservado aos fumantes e aos seus cigarros, uma vez que, até então, não se concebia um sem o outro, assim como hoje não se concebe o proprietário sem o equivalente espaço para seu automóvel. Ambos são como se fossem um, definindo-se reciprocamente: o carro que você tem diz quem você é.</p>
<p>Assim como o automóvel desfruta hoje de um verdadeiro culto, o cigarro também teve os seus dias de glória. Havia cinzeiros em aviões, em restaurantes, havia refinadas cigarreiras, piteiras, designers sofisticados para embalagens e mesmo cigarros 120 mm, coloridos, envoltos em anéis dourados. Fumar era muito chique. Fumar fazia diferença: era coisa de adulto, de gente grande, decidida, independente, que se impunha socialmente. Fumar passava uma mensagem de firmeza, decisão e determinação. Até o inesquecível 007 fumava antigamente. Que fim levou tudo isso? Nem mesmo o saudosismo conseguiu restaurar o velho charme de fumantes tão encantadores quanto os mais famosos astros de cinema. Acabou. No máximo, a sociedade tolera os fumantes, esses infelizes, coitados.</p>
<p>A mentalidade mudou. Não fumantes continuaram assim depois de adultos, e adultos fumantes abandonaram o triste vício, tornando-se os heróis que conseguiram “vencer” o hábito. Como todos os heróis, passaram a ser imitados. A imitação se propagou, as campanhas publicitárias fizeram outra vez o seu papel, agora na contramão, e finalmente a lei veio como reforço, para dar um basta frente aos resistentes e aos recalcitrantes, os que ainda insistem em desfrutar desse pequeno prazer. E a indústria? Simples. Foi confrontada com o prejuízo que o cigarro causava. Parece que funcionou. Ela sobrevive ainda, é verdade, mas onerada com impostos, assediada com processos indenizatórios e ainda pagando bem caro para publicar aquelas fotos nada atraentes nas embalagens do produto que fabrica.</p>
<p><strong>Carro: solução ou problema?</strong></p>
<p>Ora, o cigarro, de solução que era, virou problema. Até então, socializava-se o seu ônus. Contudo, uma vez a população persuadida de que os inocentes não fumantes eram prejudicados pelos ora demonizados fumantes, tudo mudou. A mentalidade vigente aos tempos áureos do cigarro levava a pensar que um belo dia todos seriam fumantes, porque era elegante ser assim. Com isso, o custo social do cigarro era absorvido. Ninguém reclamava, e os espaços se abriam. O automóvel particular, no entanto, permanece como uma solução, e uma solução altamente desejável. Quem não tem carro, um belo dia, espera ter um, concentra nisso os seus esforços, porque é altamente desejável que seja assim. Ora, como todas as coisas que se tornam objeto de desejo, existe nesta escolha um ônus significativo, só que, no caso, um ônus que toda a sociedade se mostra pronta a assumir, tanto que assume, cedendo a quarta parte de seu espaço urbano ao automóvel.</p>
<p>Em se tratando de São Paulo, seria interessante que alguém mais afeito às matemáticas mostrasse, em reais, o valor de todos esses metros quadrados, fora o custo da poluição e seu reflexo na saúde. Não seria mesmo difícil demonstrar onde está o ônus implicado na adoção desse modelo de desenvolvimento. Nossa sociedade de consumo, porém, é toda voltada ao automóvel e à satisfação de seus felizes possuidores. Quanto mais um bairro é nobre, menos os moradores dependem do transporte público. O acesso aos melhores restaurantes, às melhores lojas, aos mais requintados locais onde existe apelo ao consumo, passa pelo automóvel, pois normalmente tudo isso funciona em lugares aonde só se vai de carro. Quem não tem carro simplesmente não vai. Há nisso uma seleção de públicos, e o exercício de uma sofisticada discriminação. Quem não tem carro conta menos, e faz parte do grupo que depende do transporte público. Essa condição, no entanto, é imaginada e vivida como provisória, na medida em que se estimula o sonho de todo mundo, um dia, ter um carro e, enfim, vir a ser feliz. Enquanto isso, o custo social desse modelo econômico toma ares democráticos e vai sendo tolerado.</p>
<p>Como esperar, dentro de tal mentalidade, que alguma coisa mude? Será possível algum dia pensar o transporte coletivo como desejável, e ver o carro como algo que, afinal, não faz tanta falta assim? Optou-se por um modelo econômico que gera essa mentalidade, alimentando o imaginário popular que, por sua vez, atua no sentido de perpetuar o modelo matriz. Diante dessa conjuntura, porém, seria muito difícil vencer as implicações econômicas que atuam em prol de sua manutenção. No caso do cigarro, não eram tantas; no caso da indústria automobilística, são implicações bem mais complexas. De um jeito ou de outro, sabe-se que a cidade não tem mais para onde se expandir. Um colapso é previsível e bastante provável, tudo indicando que alguma coisa terá de mudar nessa disputa por espaço vital. Em todo caso, enquanto isso tudo não muda, afinal, que carro você tem?</p>
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