Audiovisual do Brasil quer mostrar a cara na TV

Nova legislação para televisão por assinatura abre espaço para maior inserção de produções nacionais na grade; Ancine prevê R$ 400 milhões de incentivo para 2012

A lei 12.485/2011, que trata da produção e distribuição de conteúdo para TV a cabo no Brasil, deve ser regulamentada no primeiro semestre do ano que vem. Uma das medidas prioritárias deve ser a liberação de R$ 400 milhões da Ancine (Agência Nacional de Cinema) ao segmento audiovisual nacional. O órgão ficará responsável por regular e fiscalizar a produção, programação e empacotamento dos conteúdos.

Um comitê específico da agência deverá definir os critérios de aplicação desses recursos. O foco serão os produtos voltados para a TV por assinatura, mas também haverá abertura para atividade cinematográfica. A proposta é estimular a entrada de novos grupos nesse espaço, garantindo uma programação mais plural, com mais “cara de Brasil”.

Ao menos essa é a tese que o diretor-presidente da Ancine vem defendendo em entrevistas a veículos de comunicação e seminários de relacionamento com grandes empresas do setor. Para ele, trata-se de uma grande oportunidade para o mercado brasileiro audiovisual fazer frente ao conteúdo estrangeiro, massivamente comercializado nos canais de TV por assinatura.

Continuar lendo

Cristina e a mídia: uma relação permanente de conflitos

Veículos de comunicação privados, como o Clarín, encaram a esposa do falecido Nestor Kirchner como franca inimiga; mas as urnas confirmam a confiança do povo

Com uma marca expressiva de 54% dos votos, Cristina Kirchner foi reeleita presidente da Argentina no dia 23 de outubro. O resultado percentual é o maior desde a redemocratização do país. Alem disso, é a primeira mulher da América Latina a ser escolhida duas vezes para governar um país.

Os números surpreenderam oposição e analistas políticos, que agora tentam encontrar respostas teóricas ao fenômeno de popularidade da líder peronista. Nas análises, é recorrente um alerta: Cristina pode intensificar a ofensiva contra os meios de comunicação. Mas o que significa exatamente essa afirmação? Em que contexto ela pode ser compreendida de maneira mais clara? Quais são os filtros pelos quais recebemos essas opiniões?

Em programa da Globo News dedicado ao tema, a narração do jornalista Ariel Palácios é a seguinte: “Os meios de comunicação independentes estão preocupados, já que o governo Kirchner poderia radicalizar sua ofensiva contra a mídia não alinhada”. De fato, a relação entre governo e grande imprensa é marcada por conflitos, especialmente com o Clarín. Um exemplo é o caso do projeto de lei que visa limitar a participação acionária desse jornal na empresa Papel Prensa devido à suspeita de contratos ilícitos.

Continuar lendo

Propostas para uma nova Comunicação

Entidades da sociedade civil vão a Brasília e apresentam alternativas. Ministro afirma que discussão está ganhando espaço no Executivo Federal e no Congresso

Organizações da sociedade civil promoveram atos políticos em todo o país, nesta terça-feira (18), para marcar o Dia Mundial pela Democratização da Mídia, data institucionalizada no Canadá no ano 2000 por militantes contrários à concentração dos meios de comunicação.

No momento, um dos pontos principais de reivindicação é a construção de um novo marco regulatório para o setor, ou seja, a implementação de mudanças no conjunto de leis que regula atividades públicas relacionadas à comunicação. Para discutir esse tema, representantes do Fórum Nacional da Democratização da Comunicação (FNDC) foram a Brasília entregar ao ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, um documento com 20 itens considerados prioritários na elaboração de uma nova lei.

O texto é resultado de discussões realizadas no âmbito da Conferência Nacional da Comunicação (Confecom), em 2009, somadas a um seminário organizado no Rio de Janeiro, em maio deste ano. A população também contribuiu por meio da Plataforma para um novo marco regulatório nas comunicações. Foram 200 sugestões, no total.

Continuar lendo