Como governos autoritários e grandes corporações telecom agem em paralelo para que a ONU abra caminho ao controle e mercantilização da rede (assista a partir de 13m30)
Como governos autoritários e grandes corporações telecom agem em paralelo para que a ONU abra caminho ao controle e mercantilização da rede (assista a partir de 13m30)
Visões sobre artista que canta contra a acomodação e é capaz de participar de programas de grande audiência mantendo-se crítico, contundente e rebelde
Por Jean Mello
“Combatente não aceita. Comando de canalhas que a nós não respeita.
Excluído, iludido… Quem nasce na favela é visto como bandido! Rouba muito, magnata… Não vai para cadeia e usa terno e gravata. Causa e efeito… Só dever sem direito”. (MV Bill)
Raro nos dias atuais alguém conseguir desmistificar aspectos cruciais da situação que o Brasil vive, principalmente em pouco mais de cinco minutos. Nesse clipe lançado em abril de 2011, MV Bill incorporou questões extremamente relevantes para entendimento daquilo que realmente é o “País Tropical”. Continuar lendo
Colaborador de “Outras Palavras” lança em Brasília livro-reportagem sobre o Equador, e os avanços e limites do governo Rafael Correa
No próximo dia 15 de maio, terça-feira, acontece em Brasília o lançamento do livro O Equador é verde — Rafael Correa e os Paradigmas do Desenvolvimento. Após a ótima acolhida que teve em São Paulo, em 2011, a obra agora será apresentada aos leitores da capital federal na livraria Sebinho, localizada na Asa Norte. Oportunidade única para conhecer mais sobre um país que passa pelo processo de transformação política, social e econômica mais instigante da América Latina.
Após quase dois anos de trabalho, o jornalista Tadeu Breda – hoje colaborador de Outras Palavras e repórter da Rede Brasil Atual – escreveu um extenso livro sobre o Equador antes, durante e depois da ascensão do presidente Rafael Correa e sua Revolução Cidadã. Porém, O Equador é verde – Rafael Correa e os paradigmas do desenvolvimento não fala apenas de política: questões econômicas, sociais e ecológicas permeiam as 320 páginas que constroem o retrato mais fiel já publicado em língua portuguesa sobre a história recente do nosso pouco conhecido país vizinho.
Entevista com webativista que ajudou a articular luta conta AI-5 digital será esta segunda-feira (14/4), às 20h. Transmissão ao vivo, em http://rede.outraspalavras.net/pontodecultura
Texto de Ladislau Dowbor aponta caminhos para mudanças profundas na produção e consumo. Elas podem começar já, contagiar sociedades e converter-se em políticas públicas
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Sobre o tema: O texto de Ladislau Dowbor a que esta resenha se refere pode ser lido em Ourras Palavras, em duas partes: 1 2
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Há pelo menos duas formas de enxergar a conferência Rio+20, que começa em seis semanas. Uma delas é preparar-se para denunciar seu provável “fracasso”. Ao terminar o encontro, em 22 de junho, os chefes de governo não terão, tudo indica, desenhado um plano para deter o aquecimento global ou as diversas formas de devastação da natureza. Em quase todo o mundo, a política institucional está cada vez mais amarrada aos grandes negócios e capitais. Estes buscam valorizar-se ou por meio dos circuitos financeiros, ou dos velhos padrões de “desenvolvimento”. Sua lógica é o lucro máximo: não inclui buscar novas relações, sustentáveis e harmônicas, entre ser humano e natureza.
Por isso, a mera denúncia é radical apenas na aparência. Ela permite apontar culpados, mas não ajuda a deter o crime. Durante alguns dias, a grande exposição do evento na mídia garantirá algum alarido e desgaste dos governantes insensíveis. Depois a rotina das relações de produção e consumo atuais voltará a se impor. Continuar lendo
Jovens rebeldes que derrubaram Mubarak em 2011 têm pouca incidência nas eleições para presidente — polarizadas por um ex-ministro da ditadura e dois candidatos islâmicos
Nenhum país é tão crucial, para o futuro, para o futuro da Primavera Árabe, quanto o Egito. São 70 milhões de habitantes, enorme influência no Oriente Médio, duas grandes revoluções em meio século. Ao mesmo tempo, exército forte e articulado, polícia e paramilitares rudes e violentos, laços especiais com Estados Unidos e Israel. Por isso mesmo, em nenhuma parte do mundo árabe houve tantas reviravoltas, desde que a ditadura foi deposta, em fevereiro do ano passado. Na derrocada do regime, e num surto insurrecional posterior, em outubro, saiu vitoriosa a juventude articulada em redes, que transformou a Praça Tahrir num grande experimento de invenção democrática. Nas disputas institucionais por meio das quais vai se constituindo um novo poder, prevalecem ou os militares (que souberem livrar-se do ditador), ou os partidos islâmicos. É o que volta a se desenhar às vésperas das eleições presidenciais, marcadas para 23 e 24 de maio, com provável segundo turno em junho.
Três candidatos parecem ter, a vinte dias da escolha, chances de chegar ao segundo turno: Amr Moussa, um ex-ministro do Exterior e secretário-geral da Liga Árabe; Abdel Abolfotoh, um antigo militante da Irmandade Muçulmana, perseguido pelo regime de Mubarak e rompido com o grupo islâmico há cerca de um ano, sem no entanto confrontar-se com ele; e Mohammed Morsi, o postulante oficial da Irmandade, maior força política egípcia, com quase 50% das cadeiras no Parlamento e na Assembleia Constituinte. Continuar lendo

Paris, abril: ativistas anti-AIDS protestam diante do comitê eleitoral de Sarkozy, que impõe políticas de cortes de direitos e serviços públicos
A oligarquia financeira derrapará em Paris? Nazistas chegarão ao Parlamento grego? Um ex-ministro de Mubarak governará no Cairo?
Por Antonio Martins
Na última década, uma nova cultura política, que brotou de grandes mobilizações de rua e dos Fóruns Sociais Mundiais, relativizou a importância das eleições. Ela mostrou que política é algo que se pratica todos os dias, por meio de atos e posturas — e não apenas uma vontade que se delega, por meio do voto, a cada dois ou quatro anos. Ainda assim, as eleições continuam a ser muito importantes. Basta ver o que estará em jogo, nos próximos dias e semanas, em três países que se tornaram emblemáticos das possibilidades e impasses contemporâneos: França, Grécia e Egito.
A disputa de maior relevância (e talvez a de prognóstico mais favorável) é a da França. O segundo turno das eleições presidenciais será decidido no próximo domingo, 6/5. Logo a seguir, em 10 e 17 junho, virá a renovação completa do Parlamento — o “terceiro turno”, na opinião do historiador Luiz Felipe de Alencastro, que vive em Paris.
Em condições normais, seria um confronto morno: ele opõe o presidente atual, Nicolas Sarkozy, de centro-direita, a François Hollande, de um Partido Socialista (PS) que abandonou há décadas os últimos traços de rebeldia anti-capitalista. I’m not dangerous, “não sou perigoso”, fez questão de declarar o próprio candidato, numa entrevista recente à revista inglesa The Economist. Referia-se ao fato de não propor nacionalização de setores importantes da economia, como as feitas por François Mitterrand, o único membro do PS e da esquerda a presidir a França no pós-II Guerra. Porém, nas circunstâncias de recessão prolongada e crise política que marcam a Europa, mesmo uma mudança muito menos brusca pode ter vastas consequências. Continuar lendo

Desfile nazista em Atenas, em março. Milicianos atacam imigrantes albaneses, e propõem fechar a fronteira com minas antipessoais
Às vésperas do pleito, partidos tradicionais temem sair às ruas. Esquerda divide-se. No berço da democracia, emergem os fascistas
Desde que a Grécia livrou-se de uma ditadura militar sangrenta (em 1974), a política institucional seguia os padrões ocidentais ordinários. Dois partidos alternavam-se no poder: o socialista (Pasok), de centro-esquerda, e a Nova Democracia (AD), conservadora. Ainda que suas políticas fossem próximas, mantinham forte rivalidade, sem jamais coabitar um governo.
Embora importantes, os comunistas não chegaram a ultrapassar a barreira dos 15% do eleitorado. Uma direita nacionalista, formada em 2000 (o LAOS) chegou ao Parlamento pela primeira vez em 2009, ao alcançar, 5,3% dos votos. E uma ultra-direita de clara inspiração nazista, o Alvorecer Dourado, foi sempre desprezível, jamais chegando (até 2010) a 1% do eleitorado. Este quadro foi violentamente sacudido, nos dois anos de imposição da “austeridade” pela chamada troika – Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional. Nas eleições parlamentares do próximo domingo, a única perspectiva visível, até o momento, são caos e ingovernabilidade. Continuar lendo
Novo ministro teria muito a contribuir, tanto nos temas de Trabalho quanto na democratização das comunicações. Mas haverá em sua escolha mais que mera simbologia?
O Palácio do Planalto confirmou ontem o nome do novo ministro do Trabalho: Brizola Neto, descendente e inspirado pelo velho Leonel, deputado federal pelo PDT-RJ e participante ativo da blogosfera, onde mantém o polêmico (e muito bem-informado) Tijolaço. Há três simbologias implícitas no ato.
A primeira é uma tentativa de aproximação de Dilma com a primeira geração do trabalhismo brasileiro. Expressa nas figuras de Getúlio Vargas, Leonel Brizola e João Goulart, ela quase nada tem a ver com o PDT de hoje — mas o ministério do Trabalho é um de seus grandes símbolos. Foi criado por Getúlio, em 1930 (à época, como ministério do Trabalho, Indústra e Comércio). Mais tarde, ao ocupá-lo durante poucos meses (junho de 1953 a fevereiro de 1954), Jango iniciou a trajetória nacional que o levaria à Presidência. Elevou o salário-minimo em 100% (depois de quatro anos de congelamento). Atraiu a ira dos conservadores, que forçaram sua saída, no âmbito do movimento para depor o próprio presidente.
O segundo símbolo relaciona-se à mídia. Brizola Neto contrapõe-se a Miro Teixeira, que foi ministro das Comunicações e é conhecido por suas amplas ligações com o oligopólio instalado no setor. Ambos pertencem ao PDT fluminense. Mas Brizola Neto é uma defensor constante de políticas para ampliar a liberdade de expressão (intervém constantemente sobre o tema no Tijolaço, esteve presente nos dois primeiros Encontros Nacionais de Blogueiros Progressistas). Já Teixeira tem atuado na chamada “CPI do Cachoeira” para evitar que esta investigue os sinais de envolvimento da mídia (em especial da revista Veja) com o tráfico de influências protaganizado pelo bicheiro e seu parceiro, o senador Demóstenes Torres (DEM-GO). A tentativa de blindagem está narrada no site 247.
Carros particulares já ocupam 25% do espaço urbano de SP. Um colapso é previsível e bastante provável, e tudo indica que devemos mudar nossas mentalidades, assim como fizemos com o cigarro
Por Maristela Bleggi Tomasini
A quarta parte do espaço público da cidade de São Paulo é ocupada por veículos particulares. Isso, sem dúvida, ocorre em detrimento da utilização desse mesmo espaço para finalidades mais socializadoras e menos individualistas. Contudo, a expectativa de que esse quadro possa mudar parece estar na dependência de fatores pouco discutidos. Não se trata apenas de criar regras que forcem a socialização dessa porção física da maior cidade do Brasil; trata-se de mudar uma mentalidade que reserva ao automóvel um espaço no imaginário talvez até bem maior do que esses 25%.
Carro simboliza liberdade, independência; ele confere, ao seu feliz proprietário, atributos altamente desejáveis. Não obstante tratar-se de um bem indispensável ao desempenho das atividades profissionais de boa parte da população, ser dono de um automóvel é um objetivo a ser alcançado na vida, uma conquista não menos almejada que a casa própria ou o diploma. Quanto mais sofisticado é o carro, maior o ganho social. Ter um automóvel atesta competência, inteligência, sagacidade, dá status e faz crer que seu possuidor é até mais atraente, mais bonito, mais desejável.
“Que carro você tem?” – é uma pergunta que muita gente faz aos outros, e até a si mesmo, simplesmente porque o automóvel exerce fascínio, atrai, conquista, encanta, é fetiche. Seu carro define quem você é. É, pois, objeto de desejo e, como tal, integra a própria personalidade do adquirente. Aquele que se torna dono de um carro adquire um diferencial social, cresce aos seus próprios olhos e aos olhos dos outros. Há tempos, o carro desfruta de personalidade. Tornou-se membro da família e reclama espaço, espaço este que vem conquistando cada vez mais, até chegar a esta quarta parte de São Paulo da qual estamos falando.

Cabe ao Judiciário resolução imediata e definitiva do conflito de terras envolvendo os indígenas do sul da Bahia
Por Carlos José Ferreira dos Santos
Faz tempo que a região dos municípios de Pau-Brasil, Itajú do Colônia e Camacan é palco de constantes disputas e conflitos em relação às terras do Posto Indígena Caramuru Catarina Paraguaçu. Até a criação do Posto, aquela área era habitada pelos povos Pataxós Hã Hã Hãe, Kamakã, Baenã e Tupinambá, entre outros, como atestam os relatórios do Instituto Histórico e Geográfico da Bahia (IHGB) feitos nas décadas de 1920 e 1930.
Em 1927, o Governo Federal criou o Posto Indígena numa área bem menor da que os índios ocupavam até então. De acordo com o relatório feito pelo IHGB em 13 de maio de 1925, a extensão do território indígena “ainda não ocupado pelas plantações de cacau” era de “cerca de 300 léguas”. Porém, o mesmo relatório solicitou apenas 50 léguas para a população indígena.
Uma das justificativas para a criação do posto foi proteger os índios dos constantes massacres que sofriam. Esta situação foi relatada em carta enviada pelo missionário Frei Bento de Sousa para o Diretor de Serviço de Proteção aos Índios, em 28 de março de 1924. Nela, o clérigo relata:
Sessão do STF suspensa após voto do relator. Estudante negra relata humilhações que sofreu no início das políticas afirmativas, quando preconceito era mais forte
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: Para acompanhar, a partir das 14h, a sessão do STF, clique aqui
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Uma das centenas de manifestantes que compareceram ontem diante do Supremo Tribunal Federal (STF), para acompanhar o julgamento das quotas raciais tinha uma história reveladora para contar. A gaúcha Márcia Morais foi uma das primeiras estudantes beneficiadas pela nova política. Ela relatou à Agência Brasil que ingressou na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) em 2006, graças a decisão de reservar 20% das vagas para afrodescendentes. Foi humilhada de cara.
Alguém pichou, no campus da UFRGS, a frase: “Voltem pra senzala”. Pouco depois, quando candidatou-se a um intercâmbio no Instituto de Estudos Políticos de Paris (a Sciences Po), Márcia foi desestimulada por um professor, que questionou sua capacidade intelectual para frequentar a universidade. Ela não desistiu. Aprovada na Sciences Po, defende hoje dois mestrados. Organizou no instituto a primeira Semana da Consciência Negra. Fez questão de manifestar-se ontem.
“Na ausência de ação urgente, poderíamos fazer face a ameaças em termos de água, alimento, biodiversidade e outros recursos críticos”
Por Ladislau Dowbor, editor de Dowbor.org
Os 2800 cientistas reunidos em Londres no quadro do evento Planet Under Pressure: New Knowledge Towards Solutions, entre 26 e 29 de março, publicaram uma declaração forte, a Declaração do Estado do Planeta [State of the Planet Declaration (acesse aqui, em inglês)]. O primeiro parágrafo deixa clara a visão: “As pesquisas agora demonstram que a continuidade de funcionamento do sistema Terra, tal como tem dado suporte ao bem-estar da civilização humana nos últimos séculos, está em risco. Na ausência de ação urgente, poderíamos fazer face a ameaças em termos de água, alimento, biodiversidade e outros recursos críticos: estas ameaças geram o risco de crises econômicas, ecológicas e sociais, criando o potencial para uma emergência humanitária em escala global”. Esta compreensão está gradualmente se generalizando no planeta. As quatro páginas da declaração ajudam muito a entender o posicionamento dos cientistas frente à convergência de processos planetários críticos.
Julgamento, a partir das 14h, será acompanhado por mobilização de alunos cotistas e Banda Afro-reggae, e acompanhado pelo cineasta Spike Lee
Pode terminar esta tarde, em Brasília, um episódio emblemático de resistência das elites brasileiras a medidas democratizantes que atingem seus privilégios. O plenário do Supremo Tribunal Federal julgará três Ações Diretas de Inconstitucionalidade que procuram anular as políticas de cotas sociais e raciais nas universidades. Foram impetradas por um partido político (naturalmente, o DEM…), pela Confederação dos donos de escolas privadas (a Confenen) e por um estudante branco que se julgou prejudicado.
Hoje, a confirmação das cotas é considerada certa: diversos ministros do STF já se manifestaram por sua constitucionalidade. Mas há apenas três anos, quando as ações começaram a chegar ao tribunal, o cenário era outro, lembra o blog Mamapress. Os jornais ironizavam a nova política, afirmando que “não iria dar certo; atrairia o ódio racion norte-americano; dividiria o país entre pretos e brancos”; “formaria profissionais que não seriam aceitos no mercado”. Colunistas como Demétrio Magnoli e editores como Ali Kamel eram chamados para constantes pronunciamentos a respeito.
A provável vitória de hoje é mais um sinal de que o país vive mudanças culturais importantes e rápidas, impulsionadas também por uma atitude altiva das periferias. Para pressionar o STF a enterrar as políticas antidiscriminatórias, caravanas de alunos quotistas de vários estados estão desde ontem em Brasília. Um ato ecumênico diante do tribunal será animado pela Banda Afro-Reggae (na foto). O cineasta Spike Lee (diretor de MalcolmX e Faça a Coisa Certa) anunciou que estará presente e registrará o julgamento. Ele prepara novo filme, intitulado Go, Brazil, go, em que destaca a importância internacional do país para novos padrões de igualdade e diálogo inter-étnico. Tais mobilizações continuam a ser ignoradas pela mídia tradicional, num sinal de que parte das elites deixou a histeria, mas ainda não se sente à vontade num país menos desigual.
Afastamento de líder popular incentiva uso de plataformas alternativas à imprensa chapa-branca. Estado tenta manter controle, mas sabe que não deterá internet
Por Antonio Martins
Milhões de chineses receberam ontem (24/4) uma mensagem incomum, quando abriram as páginas do Sina Weibo [visitar (experimente traduzir com Google) | ler verbete na Wikipedia], uma plataforma de microblogs similar ao Twitter ou Facebook. “Elementos criminosos usaram recentemente o Weibo para criar e difundir online rumores políticos malévolos, produzindo efeitos terríveis na sociedade, dizia o texto. Informava que os implicados haviam sido excluídos da rede e “submetidos aos órgãos de segurança, de acordo com a lei”. E advertia: “Não espalhe rumores, não acredite em rumores, denuncie rapidamente os rumores”. O ocorrido é um pequeno retrato de uma das grandes tendências culturais e políticas, no país mais populoso e segunda maior economia do mundo. Há meses, os microblogs e outras formas de mídia participativa tornaram-se muito populares. O regime, centralizador por natureza, incomoda-se e reage — mas até certo ponto. Sabe que não pode conter a tendência, tenta conviver com ela.
A mensagem nervosa de ontem tem a ver com a enorme repercussão alcançada, nas novas mídias, pelo afastamento de Bo Xilai, um alto dirigente do Partido Comunista [leia a história e seu contexto, em Outras Palavras]. A imprensa oficial mantêm-se extramamente lacônica: limitou-se a comunicar a demissão, numa nota da Agência Xinhua. O próprio Bo está silencioso. Mas, polêmico e midiático, sua ausência desencadeou, nas novas mídias, uma espécie de investigação paralela. Desde o início do episódio, informações não encontradas nos jornais estatais foram postadas no Sina Weibo e (em muito menor escala) no Boxun, um site que publica notícias anônimas e é voltado para a China, porém sediado nos EUA.
A difusão do Sina Weibo pode ser considerada um fenômeno mundial. Oferecida num único país, a plataforma tem 300 milhões de usuários — um terço do Facebook e o dobro do Twitter. Ouvido pelo Wall Street Journal, Qiao Mu, diretor do Centro de Estudos de Comunicação Internacional na Universidade de Beijing explicou que o fenômeno é (como no Ocidente) principalmente sociológico. “O efeito mais importante é a decentralização. Antes, tudo era decidido pelo governo: o que é notícia, quem fica famoso. Agora, qualquer um pode ficar. Não é preciso autorização oficial. E todo mundo pode postar notícias”.
Dados confirmam que “austeridade” deprime o continente, mas governantes insistem em prolongar sacrifícios
Paul Krugman, Nobel de Economia, escreveu certa vez que a lógica oculta nas políticas de “austeridade” é idêntica à dos sacrifícios humanos praticados pelos maias. Eles não evitavam nem os eclipses, nem perda de colheitas, mas os sacerdotes argumentavam que sua receita estava certa — apenas não havia sido seguida com a intensidade necessária… Duas estatísticas divulgadas ontem, e as reações das autoridades a elas, dão novas razões à comparação de Krugman.
Na Grécia, o Banco Central anunciou que a queda no PIB será maior que se previa: -5%. Há cinco anos, a produção declina sem parar. Quase todos os ativos do Estado foram vendidos; o desmonte dos serviços públicos degenera até em saque de tesouros arqueológicos; houve redução do salário mínimo, eliminação de direitos, explosão do desemprego. Analistas não-alinhados a estas políticas anteciparam que elas seriam incapazes de reimpulsionar a economia — exatamente porque deprimem a capacidade de consumo da população. Ainda assim, o presidente do BC “advertiu”: o país precisa de “estrita adesão aos ajustes”; eles não pode ser ameaçados pelas eleições do próximo 6/5…
Jogaram-me no chão com força e me algemaram com as mãos para trás. Fui colocado no camburão, detido como um criminoso que coloca a sociedade em perigo
Por Pedro Urizzi
Sou eu nessa foto sendo preso injustamente! Estava a caminho de um jantar (por isso a garrafa de vinho na mão), havia descido do ônibus, pois a Av. Paulista ainda estava interditada e comecei a caminhar em direção à Brigadeiro. Quando passo em frente ao Masp, vejo a manifestação contra a corrupção. Fiquei algum tempo observando a marcha de longe. Minutos depois, grande parte das pessoas foram dispersadas pela PM com o uso de força bruta, gás lacrimogêneo, bala de borracha etc.
Após o primeiro confronto, continuo em direção à Brigadeiro, levando meu vinho e escutando música, mas uma cena me marcou muito: vi um policial com um saco de bombas, que caminhava junto com sua equipe até um grupo de pessoas que estavam na calçada. Observei que havia crianças ali também. Então, corri até a ilha de cimento que fica na frente do Masp e comecei a berrar: “Tem criança ali, não joga não joga, tem criança.”
Depois de poucos minutos, o mesmo policial me abordou agressivamente, me segurou pelo colarinho e alegou que eu o xinguei. Ele me xingou algumas vezes e continuou a me segurar pelo colarinho e a me chacoalhar. Enquanto isso, outro policial veio e me agrediu com um cassetete no braço, me deram voz de prisão e bruscamente torceram meu braço esquerdo e me seguraram pela nuca. Em nenhum momento os policiais pediram meus documentos ou respeitaram meus direitos. Fui detido por livre decisão da PM, sem motivo algum, e de uma maneira humilhante.

Ângela Merkel (Alemanha) e Nicolas Sarkozy (França), a dupla "Merkozy": imagem de um regime decadente
Estudo revela complexo mecanismo usado para impor, “democraticamente”, medidas condenadas por ampla maioria das sociedades
Na Europa, não faltam recursos financeiros contra a crise: Banco Central Europeu (BCE) e Comissão Europeia (CE) estão agindo desde a virada do ano para transferir, ao sistema bancário privado, cerca de 3 trilhões de euros, a juros negativos. A atitude é outra em relação aos Estados ameaçados por fuga maciça de divisas. Negam-se recursos. Exige-se, para liberá-los, corte de direitos sociais, privatizações, redução drástica das proteções previdenciárias. Tais medidas são rechaçadas, revelam as sondagens, pela vasta maioria da opinião pública, em todos os países. No entanto, os Parlamentos as adotam sem resistir. Como é possível esta democracia contra as sociedades?
Acaba de sair um texto revelador a respeito. O original, em francês, foi publicado no site Memoire des Lutes, dirigido por Ignacio Ramonet e Bernard Cassen. O autor é Christophe Ventura, um jovem colaborador destes antigos editores do Le Monde Diplomatique. Ele descreve os meandros institucionais do processo de chantagem política que garantiu até agora a submissão do continente aos projetos da oligarquia financeira.

Primeiro, empresa considerou ferroviários culpados por sua própria morte. Agora, fala-se em "sabotagem" nos acidentes...
Para membros do governo paulista e CPTM, trabalhadores que morreram em acidentes de trem podem ter praticado “sabotagem”…
Por Rogério Centofanti, do São Paulo Trem Jeito
Participei no início do mês passado, na condição de representante do Sindicato dos Ferroviários de Trens de Passageiros da Sorocabana – SINFERP -, de um programa de rádio em Osasco (SP), com feitio de roda viva. No centro da roda, fui bombardeado por questões sobre transporte de pessoas sobre trilhos em São Paulo, em especial na CPTM.
Foi muito bom, pois animado por condutores inteligentes, sérios, e dotados de uma competência cada dia mais rara: a indignação.A pergunta mais provocativa veio logo de início, e foi mais ou menos a seguinte: “Você não acha que há excesso de problemas justamente em ano eleitoral?”.

Após greve geral com enorme adesão, dirigentes anunciam mobilização permanente contra pacotes de austeridade e procuram: “meios democráticos para tirar esses governantes do poder”
Depois da greve geral de 29 de março, que reuniu cerca de quatro milhões de pessoas em 110 manifestações por toda a Espanha, as centrais sindicais espanholas preparam para o Dia do Trabalho uma série de protestos contra a reforma trabalhista e os cortes orçamentários impulsionados pelo governo conservador de Mariano Rajoy.
“Queremos que no 1° de Maio haja uma mobilização generalizada para expressar nosso rechaço às reformas e exigir uma solução negociada à crise, em que a classe trabalhadora não seja a mais sacrificada”, anuncia Manuel Bonmati, secretário de Política Internacional da Unión General de Trabajadores (UGT).
Na Espanha, diz, aproximadamente 24% da população economicamente ativa está sem trabalho. E metade do desemprego recai sobre mulheres e jovens, que também sofrem mais diretamente com os cortes de verbas para saúde e educação.